O Android TV ganha em quantidade de apps e em liberdade; o sistema próprio, como o Roku OS e o tvOS da Apple TV, ganha em menu leve e em atualização que chega igual para todos os aparelhos. A diferença aparece no sábado, às 22h, quando o filme que você quer está num app pouco conhecido: no Android TV ele se instala pela Google Play ou por arquivo, no Roku ele não existe.
Os grandes streamings, como Netflix, YouTube e Globoplay, rodam nos três. O que decide a escolha é a memória do aparelho e o tipo de app que a sua sala usa.
Como funciona o Android TV e para quem ele foi pensado?
O Android TV é a versão do Android que o Google criou para TVs e aparelhos de streaming, com acesso à Google Play e liberdade para instalar apps fora dela. Ele foi pensado para quem trata a sala como extensão do celular: jogos com controle bluetooth, apps de música, navegador, player para os vídeos do HD externo e espelhamento da tela por Chromecast.
O sideload é a instalação de um app por arquivo APK (o pacote de instalação do Android), sem passar pela loja, e resolve o caso do app que existe no celular, mas ainda não tem versão para TV.
Em boxes e sticks, o Android TV aparece em aparelhos de várias marcas, da Xiaomi a fabricantes que quase ninguém conhece, com memórias e processadores muito diferentes entre si. Por isso o mesmo sistema anda solto num aparelho e se arrasta em outro.
Google TV e Android TV são a mesma coisa?
Quase. O Google TV é a interface que o Google colocou por cima do Android TV a partir de 2020, com uma tela inicial que mistura recomendações de todos os streamings que você assina. Por baixo, sistema e loja são iguais: o Xiaomi TV Box S de 2ª geração, que já sai com Google TV, 2 GB de RAM e 8 GB de armazenamento, instala os mesmos apps de uma box com a interface antiga.
Como funciona um sistema próprio e para quem ele foi pensado?
Sistema próprio é a plataforma que a fabricante do aparelho desenvolve e controla sozinha, da loja de apps às atualizações. No streaming, os exemplos mais comuns no Brasil são o Roku OS, dos aparelhos Roku Express e das TVs Roku TV, e o tvOS, da Apple TV 4K. Servem para quem liga a TV, abre o streaming e não quer configurar mais nada.
A fabricante escolhe quais apps entram na loja e fecha a porta para a instalação por arquivo. Nem o Roku nem a Apple TV aceitam APK, e o modo de desenvolvedor do Roku carrega só apps de teste (nada que sirva para o dia a dia da sala).
Roku e Apple TV seguem lógicas opostas
O Roku aposta em leveza. O menu é uma grade de blocos com pouca animação, roda em processadores modestos e recebe a atualização da própria Roku, igual para todos os aparelhos que ainda recebem suporte.
A Apple TV 4K vai pelo caminho inverso, com chip A15 Bionic, o processador do iPhone 13, versões de 64 GB e 128 GB e uma loja com curadoria da Apple. Mas o encaixe só fica completo com iPhone: o espelhamento por AirPlay e a configuração pelo celular não funcionam a partir de um Android.
Android TV vs sistema próprio: qual tem mais apps?
Ganha o Android TV. O Google informou em maio de 2022 que a plataforma passava de 10.000 apps entre Android TV e Google TV, e o sideload amplia essa lista. Roku e Apple TV cobrem os grandes streamings, mas costumam ficar sem app regional, sem player de mídia mais específico e sem ferramentas que fogem do vídeo.
Netflix, YouTube, Globoplay, HBO Max e Disney+ estão nos três sistemas, e quem só abre esses apps não sente falta de nada.
Nos jogos, a distância cresce. O Android TV roda jogos da Google Play adaptados para TV e serviços de jogo na nuvem como o GeForce NOW, com controle bluetooth pareado na box, enquanto o Roku fica nos jogos casuais do controle remoto. A Apple TV é a exceção entre os fechados, com o Apple Arcade e suporte a controles de PlayStation e Xbox.
Qual roda melhor em aparelho simples, Android TV ou sistema próprio?
O sistema próprio roda melhor em aparelho simples. O Roku OS nasceu para processadores e memórias modestos, enquanto o Android TV mantém serviços do Google em segundo plano e depende da memória RAM, a memória de trabalho que segura os apps abertos. Abaixo de 2 GB de RAM, a box Android costuma engasgar.
Domingo, 15h55, sala cheia para o jogo do Brasileirão, e você sai do YouTube para abrir o app que transmite a partida. Numa box com 1 GB de RAM, o app recomeça do zero, a tela fica preta por alguns segundos e o apito inicial passa enquanto o logo ainda carrega.
O Google reconheceu o problema e exige 2 GB de RAM nos aparelhos novos com Android TV 14. O primeiro Xiaomi Mi TV Stick, com 1 GB, ficou abaixo dessa linha.
E o armazenamento?
O armazenamento pesa menos do que a RAM, mas aparece com o tempo. Boa parte dos 8 GB comuns em boxes Android, como os do Chromecast com Google TV, fica com o sistema e com as atualizações dos apps, e quem instala jogos esgota o espaço rápido (a ficha técnica mostra o total, nunca o que sobra livre).
Quem atualiza melhor, Android TV ou sistema próprio?
O sistema próprio atualiza de forma mais previsível. No Roku e na Apple TV, quem cria o sistema também envia a atualização, ao mesmo tempo para todos os aparelhos suportados. No Android TV, o Google lança a versão, mas quem decide se ela chega à sua box é a fabricante do aparelho, e muitas boxes param na versão de fábrica.
O Chromecast com Google TV recebeu atualizações direto do Google por anos, enquanto uma box de marca desconhecida pode nunca receber nenhuma e ficar sem correções de segurança.
Por que um app some da TV? Porque os streamings exigem uma versão mínima de sistema, e a box parada numa versão antiga um dia vê o app deixar de atualizar e, depois, deixar de abrir.
Diferenças entre Android TV e sistema próprio, critério por critério
O Android TV leva vantagem em apps, sideload, jogos e personalização da tela inicial; o Roku OS, em leveza e atualização central; e o tvOS soma anos de atualização e jogos, mas o AirPlay e a configuração rápida pedem iPhone.
| Sistema | Loja de apps | Instala APK | Quem envia a atualização | RAM dos modelos de entrada | Jogos | Assistente de voz | Limitação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Android TV / Google TV | Google Play, mais de 10.000 apps (Google, 2022) | Sim | A fabricante da box | 1 GB (Mi TV Stick) a 2 GB (TV Box S de 2ª geração) | Google Play e nuvem, com controle bluetooth | Google Assistente | Engasga com menos de 2 GB de RAM, e a atualização depende da fabricante |
| Roku OS | Loja Roku, com os grandes streamings | Não | A Roku, para todos os aparelhos com suporte | Não divulgada | Casuais, no controle remoto | Busca por voz nos controles com microfone | Sem apps fora do catálogo e sem jogos de verdade |
| tvOS (Apple TV 4K) | App Store da Apple, com curadoria | Não | A Apple | Não divulgada (chip A15 Bionic) | Apple Arcade, controles de PlayStation e Xbox | Siri | AirPlay e configuração rápida só com iPhone |
Qual escolher entre Android TV e sistema próprio para a sua sala?
Escolha pelo uso principal da TV. A lista de recursos pesa menos. Para jogos e apps fora do streaming, vá de Android TV numa box com 2 GB de RAM ou mais; para TV antiga e uso só de streaming, Roku OS; para casa com iPhone e vontade de jogar, Apple TV 4K.
- Jogo com controle bluetooth, filme do HD externo ou um app que não está nas lojas fechadas: Android TV. Exija 2 GB de RAM (o piso que o Google fixou para o Google TV) e uma marca com histórico de atualização.
- A TV Full HD do quarto, que só abre Netflix, YouTube e Globoplay, pede Roku OS.
- Casa com iPhone e vontade de jogar no sofá? Apple TV 4K, com jogo no controle e anos de atualização.
O Android TV não combina com quem quer ligar e esquecer a configuração, e numa box de 1 GB de RAM ele frustra até quem gosta de mexer; no Roku, o limite é o jogo e o app regional. E quem só tem celular Android perde o AirPlay e a configuração rápida da Apple TV.
Perguntas frequentes sobre Android TV e sistema próprio
Depois de escolher o sistema, sobram as dúvidas da sala de verdade: a box desbloqueada que alguém indicou, a TV de tubo do quarto e o controle remoto que some entre as almofadas do sofá (o celular resolve). Nenhuma delas aparece na ficha técnica.
TV box com Android desbloqueada é legal?
Não. Box que libera canais pagos sem assinatura é pirataria e não passa pela homologação da Anatel, a certificação obrigatória para aparelhos com wi-fi e bluetooth no Brasil.
A Anatel faz operações para derrubar os servidores que alimentam essas boxes, e a imagem some sem aviso. Antes de comprar, procure o selo Anatel com número de certificado na caixa.
Dá para trocar o Roku por Android TV no mesmo aparelho?
Não. O sistema vem gravado de fábrica e a fabricante bloqueia a troca: um Roku Express continua Roku para sempre, e uma box Android não vira Apple TV. A saída é ligar outro aparelho de streaming numa porta HDMI livre da TV.
Android TV funciona em TV que não é smart?
Sim, com entrada HDMI. A box ou o stick vira a parte smart, e a TV vira só a tela. Uma TV de tubo, só com entrada RCA (os três cabos amarelo, branco e vermelho), exige um conversor de HDMI para RCA, e a imagem cai para a resolução da TV antiga.
Dá para usar o celular como controle remoto?
Sim, nos três sistemas. O app Google TV, para Android e iPhone, controla as boxes com Android TV; o app Roku também controla os aparelhos Roku e ainda manda o som para o fone ligado ao celular; e o iPhone controla a Apple TV pela Central de Controle. Ajuda muito na hora de digitar senhas de wi-fi com 20 caracteres.
Fontes consultadas
- 9to5google.com: Google TV 2GB RAM requirement; 9to5Google, nota sobre el almacenamiento del Chromecast con Google TV
- agenciagov.ebc.com.br: Anatel derruba 3,9 mil servidores de TV boxes ilegais em 2023
- android-developers.googleblog.com: What’s new with Google TV & Android TV OS
- androidauthority.com: Google TV interface replaces Android TV experience
- androidpctv.com: AndroidPCtv, review técnico del Xiaomi TV Box S 2nd Gen
- apple.com: Apple Brasil, especificações técnicas
- canaltech.com.br: Canaltech, guia de instalação do Globoplay
- developer.roku.com: Enabling Developer Mode
- mi.com: Mi TV Stick; Xiaomi TV Box S
- nvidia.com: GeForce NOW System Requirements
- support.apple.com: Apple TV 4K
- tecnoblog.net: Review Roku Express: para fãs de streaming; Google mantém suporte só a um modelo do Chromecast